sexta-feira, 1 de julho de 2016

Karl Barth e Rudolf Bultmann: Correspondências 1922/1966




Münster, 17 de fevereiro de 1930

Querido senhor Bultmann,

Obrigado pela sua carta de ontem. Você me deixou sem saída. Eu não tenho outra escolha a não ser dizer que, se eu viver, vou participar de sua conferência e dar a palestra desejada, desfavorável , embora a minha posição será a partir de meus princípios, em uma reunião composta exclusivamente de seus estudantes. Mas a coisa mais importante pode e deve ser a discussão em um círculo muito limitado. Eu simplesmente peço-lhe para fixar a data o mais cedo possível para que todos possam vir. eu vou fazer tudo que posso para que Thurneysen esteja lá, e Georg Merz deveria estar presente por conta de ZZ. Como tudo vai ser é um mistério para mim, porque a possibilidade de falar com Gogarten como com outros seres racionais é para mim uma das possibilidades ontológicas, que eu vejo com muita descrença. No futuro, entretanto, vou procurar aumentar o meu "pessimismo" consideravelmente.
Na sexta-feira oito dias atrás, encontramos o endereço de Frau von Tiling que, de acordo com declarações do próprio Gogarten, é solidário teológicamente com ela. Ela é uma baronesa báltico o argumento "a mulher deve ficar em silêncio na igreja" é também uma possível razão para as supostas perseguições cristãs no Báltico. Foi uma revelação de brutalidade intelectual que ainda estou abalada hoje quando me lembro da discussão com Gogarten. Gogarten não deve vir com este tipo de ensino, em outubro, o segundo colóquio em Marburg não deve ser tão infrutífero quanto o primeiro.
Você não ficara feliz de ver o semestre lentamente chegando ao fim. Para nós, haverá muitas despedidas, partidas, e também um recomeço. Durante o inverno eu espero ter fechado um bom acordo com Heinrinch Scholz, eu não sei, se tiver escolha, eu não posso desistir de Bonn por causa dele. Eu certamente não posso acreditar que poderei encontrar esse tipo de comunhão novamente com o outro filósofo.
 
Desejo que tudo vá bem com você,
Muito sinceramente
 
Karl Barth

* Karl Barth; Rudolf Bultmann. Letters 1922/1966. p. 52. Tradução do inglês: David Rubens. 
*Imagem: Karl Barth e Eduard Thurneysen.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Barth e Bultmann: Correspondências. Tradução do prefácio do livro.


 

                                           Prefacio
Esta edição de correspondências de Karl Barth e Bultmann foi planejada independentemente da edição geral das obras de Barth realizadas em 1970. Por sugestão dos editores de Barth, e com a autorização de Bultmann.
O livro contém todas as cartas e cartões postais que os dois teólogos trocaram em várias décadas de amizade e discussão teológica. Estão disponíveis: 30 cartas e 33 cartões postais escritos por Bultmann (1922-1966) e 25 cartas e 10 postais escritos por Barth (1923-1963). Infelizmente, 11 cartas e cartões postais escritos por Barth foram perdidos nos correios em 1969 e até agora não foram recuperados.
O material escrito por Barth foi preservado nos arquivos de Bultmann, e, o que foi escrito por Bultmann pode ser encontrado no arquivo de Barth na Basiléia.
Barth e Bultmann se encontraram pela primeira vez quando Barth era estudante em Marburg de 1908 a 1909, e conheceram-se melhor nos encontros abertos a noite na casa de Martin Rade, cujo diário Die Welt Christliche, Barth ajudou a editar em 1909. Bultmannn tornou-se amigo particular do irmão de Barth, Peter Bart, que é mencionado mais de uma vez nas cartas. Peter Barth escreveu o cartão postal conjunto da Conferência Aarau (21 de março de 1911), que é o primeiro contato escrito entre Barth e Bultmann. Treze anos mais tarde Barth cumprimentou Bultmann em um cartão enviado por Eduard Thurneysen de Pany nos Grisões (15 de agosto 1924). Estes foram os primeiros contatos por escrito entre os dois teólogos.
O livro contém várias cartas que merecem uma atenção especial. Prometo traduzir e publicar outros trechos do livro.


David Rubens

Artigos sobre Rudolf Bultmann


Artigos Científicos sobre Bultmann e seu pensamento para pesquisadores do teólogo alemão no Brasil. 


   
A DESMITOLOGIZAÇÃO de Bultmann leva à desistoricização dos evangelhos. REB - Revista Eclesiástica Brasileira, Petrópolis: Vozes, v. 27, n. 2, p. 374-5, 1967.
CABRAL, Alexandre Marques. Bultmann e Heidegger: entre desmitologização teológica e destruição fenomenológica. Ekstasis: Revista de Hermenêutica e Fenomenologia. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, V. 1. N. 1. 2012.
CALIMAN, Cleto. Rudolf Bultmann e seu significado para a teologia cristã. Atualização, Belo Horizonte: O Lutador, v. 7, n. 80, p. 797-809, 1976.
HASENHÜTTL, G. Que pretende Bultmann com o seu programa de desmitização? Concilium, Petrópolis: Vozes, n. 4, p. 48-57, 1966.
KONINGS, Johan. Bultmann chega ao Brasil: a propósito de uma tradução recente. Perspectiva Teológica, Belo Horizonte, v. 20, n. 52, p. 379-83, 1988.
KONINGS, Johan. Marle sobre Bultmann a respeito de um livro. Teocomunicação, Porto Alegre: EDIPUCRS, v. 3, n. 18, p. 43-7, 1973.
ROCHA, Alessandro Rodrigues. A centralidade da ressurreição para a fé cristã: a perspectiva Bultmaniana. Atualidade Teológica, Rio de Janeiro, v.11, n. 27, p.403-14, set. 2007.
RUBENS, David. Martin Heidegger e Rudolf Bultmann: sobre a invenção da desmitologização. Anais do V Congresso da ANPTECRE, Curitiba/PR: PUCPR, 2015.
PIRES, Frederico Pieper. Bultmann, leitor de Heidegger. Revista Eletrônica Correlatio, São Paulo: UMESP, n. 4 – Dezembro, 2003.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Rudolf Bultmann: Vida e Obra


Rudolf Karl Bultmann nasceu em Wiefelstede (Oldenburg), na Alemanha, em 20 de agosto de 1884. Filho mais velho de Arthur Bultmann, pastor protestante da Igreja Luterana. Seus avôs paternos foram missionários na África e seu avô materno tinha sido pastor na pietista região sul da Alemanha (GRENZ, OLSON, 2003, p. 102). Bultmann cursou a escola primária em Rastede. O ginásio, em Oldenburg (1895-1903) foi colega do filósofo existencialista Karl Jaspers.[1] No liceu estudou a história da religião, distinguiu-se pelo estudo do grego e da história da literatura alemã (BULTMANN, 1964, p. 335).
Concluído o liceu, iniciou seus estudos teológicos na Universidade de Tübingen, em 1903. No ano seguinte, passou para a Universidade de Berlim e dois anos depois para a Universidade de Marburg. Foi aí que, em 1910, licenciou-se em Teologia, com a tese: O Estilo da Pregação Paulina e a Diatribe Cínico-Estóica, um tema sugerido a ele por Johannes Weiss. Dois anos mais tarde obteve a livre docência, com uma dissertação sobre a Exegese de Teodoro de Mopsuéstia, um tema proposto por Adolf Jülicher.

PENSADORES QUE EXERCERAM INFLUÊNCIA NA FORMAÇÃO INICIAL DE BULTMANN


Bultmann cresceu na famosa escola da Teologia Liberal Alemã[2] do século XIX: Seus mestres foram homens de clara fama liberal e de orientação histórico-crítica. Ele mesmo deixou a lista daqueles em relação aos quais sente-se particularmente devedor:
Em Tübingen, o historiador da Igreja Karl Müller (1842-1940). Em Berlim, o estudioso vétero-testamentário Hermann Gunkel (1862-1932): conhecido por sua contribuição para “crítica da forma”, e o estudo da tradição oral em textos bíblicos. E o grande historiador dos dogmas Adolf von Harnack (1851-1930): suas duas obras mais conhecidas são: “Manual de história do dogma”, em três volumes e a série de palestras “A essência do cristianismo”, texto clássico dateologia liberal. Harnack defendeu em sua obra principal História dos Dogmas, a evolução dos dogmas do cristianismo pela helenizacão progressiva da fé cristã primitiva.
Em Marburg, dois estudiosos do Novo Testamento; Adolf Jülicher (1857-1938): teorizava que Jesus não afirmou ser o Messias, mas que a igreja primitiva tinha reivindicado que era. Segundo esta teoria, o autor do evangelho de Marcos tinha inventado a ideia de “segredo messiânico”, segundo o qual Jesus tentou esconder sua identidade, e só revelou a alguns de seus discípulos. Johannes Weiss (1863-1914): conhecido por seu trabalho da crítica do Novo Testamento. Ele escreveu as primeiras interpretações escatológicas dos Evangelhos (1892) e, em seguida, estabeleceu os princípios da “crítica da forma”: análise das passagens bíblicas através de sua forma estrutural.
O teólogo sistemático Johann Wilhelm Herrmann (1846-1922), que era seguidor de Kant e Ritschl, é a mais significativa influência liberal no pensamento de Bultmann. Herrmann afirmava que a religião não pode ser totalmente assimilada pela ciência ou pela filosofia. Ela não pode ser reduzida a algo universalmente válido, mas está relacionada com a vida particular de cada indivíduo. “Herrmann critica duramente a adoção que o cristianismo fez da metafísica, confundindo religião e filosofia e se esquecendo do aspecto sui generis da religião” (PIEPER, 2003, p. 21). E o teólogo sistemático Johann Wilhelm Herrmann (1846-1922): influenciado por Kant e Ritschl, via Deus como o poder da bondade. “Jesus era visto como um homem exemplar. Mesmo que Jesus nunca existiu, de acordo com Herrmann” (Ibidem, p. 21), seu retrato tradicional ainda era válido. Seu livro “A Comunhão do Deus cristão” era visto como um dos destaques do século XIX.

Alguns Livros para conhecer Bultmann:

                              Demitologização
 Jesus Cristo e Mitologia
 Correspondência entre Bultmann e Heidegger









 Crer e Compreender


                                                       

                                       Jesus

                                   Milagre

                                     Cartas entre Barth e Bultmann

                                   Bultmann: Pensadores Modernos


 Teologia do Novo Testamento




[1]Karl Theodor Jaspers (1883-1969), psiquiatra e filosofo, teve forte influência na teologia moderna e na filosofia. Jaspers tentou descobrir um sistema filosófico inovador. Foi muitas vezes visto como um dos maiores expoentes do existencialismo na Alemanha, apesar de ele mesmo não aceitar este rótulo (BARAQUIM; LAFFITTE, 2007, p. 157).
[2] A teologia liberal encontrou seu método na filosofia kantiana, a inacessibilidade da esfera religiosa à razão pura e, ao mesmo tempo, a redução da religião aos limites da mera razão. “Com a teologia liberal, tem início, assim, um processo de secularização da religião, seguindo o itinerário filosófico ou o histórico-filológico (Scheleiermacher, Ritschl, vonHarnach). Trata-se de uma teologia que parte da força de superação das contradições (Hegel) para harmonizar fé e razão, revelação e razão, humanismo e cristianismo” (GIBELLINI, 2002, p. 148). 


Estilo de Normalizar Citação De Acordo com as Normas da ABNT para Trabalhos Acadêmicos.
RUBENS, David. RUDOLF BULTMANN: UMA APROXIMAÇÃO. http://biblicoteologico.blogspot.com.br/2014/11/rudolf-bultmann-uma-aproximacao.html. Acesso em: _____________.

Correspondência Bultmann, Günther Bornkamm, Paul Althaus, Karl Barth, Martin Heidegger

Já li as correspondências entre Bultmann e Heidegger e, entre Bultmann e Barth, pretendo ler este ano os livros que foram lançados recentemente: correspondências entre Bultmann e Günther Bornkamm e, entre Bultmann e Paul Althaus.
Estes livros são excelentes para uma melhor compreensão do pensamento de Rudolf Bultmann. Todos os bultmannianos deveriam ler, recomendo também a leitura aos críticos que ainda não leram Bultmann.


Rudolf Bultmann e Günther Bornkamm
Correspondência 1926-1976
Editor. Werner Zager

Nas correspondências entre Rudolf Bultmann e Günther Bornkamm questões centrais do Novo Testamento são discutidas: o entendimento da Última Ceia de Jesus, a importância do Jesus terreno para uma teologia do Novo Testamento, o problema hermenêutico da demitologização da proclamação do Novo Testamento. Além disso, o leitor é levado para o processo criativo da obra dos dois teólogos.
Bultmann e Bornkamm pertenciam a Igreja Confessante, mas, os dois teólogos sempre apresentaram uma posição teológica simples em relação ao poder totalitário do estado nazista, embora ambos os teólogos tenha contribuído em uma resistência política real – mas cada um à sua maneira - de forma consistente para a liberdade da teologia e da igreja: Bultmann como professor universitário e Bornkamm como docente e como pastor. Ambos foram ligados à Hans von Soden e os teólogos liberais de Marburg. Cujo o trabalho em teologia e na igreja, foi determinado pela coragem de pensar criticamente. Quanto à ligação com o evangelho, ambos os teólogos valorizavam altamente a verdade absoluta.
As correspondências são reveladoras e relevantes para entender a obra dos dois principais teólogos do Novo Testamento de todos os tempos.  
527 páginas
Editora: Mohr Siebeck; 1ª edição, dezembro de 2014.
Idioma: Alemão
ISBN-10: 3161517083
ISBN-13: 978-3161517082
Tamanho: 16,8 x 4 x 23,3


Rudolf Bultmann e Paul Althaus Correspondência 1929-1966 
Editor. Matthias Dreher; Gotthard Jasper

Os dois pesquisadores tratam de temas centrais da teologia luterana: antropologia, justificação, fé pascal, a relação da ressurreição de Jesus com a sua cruz e ressurreição dos crentes, demitologização e compreensão das Escrituras. Os dois teólogos nunca chegaram a um consenso, as correspondências não tinham este objetivo. Em vez disso, os discursos de ambos os teólogos aguçava ainda mais as oposição e a divergência. Matthias Dreher e Gotthard Jasper completar a edição da correspondência e com vários textos anexos, uma introdução histórica e um comentário teológico.
132 páginas
Editora: Mohr Siebeck; 1ª edição, abril de 2012
Idioma: Alemão
ISBN-10: 3161509811
ISBN-13: 978-3161509810
Formato: 16,3 x 1,7 x 24,6


Rudolf Bultmann e Martin Heidegger Correspondência 1925/1975
Editor. Eberhard Jüngel 

Em 1923, Martin Heidegger deixou seu cargo de professor na Universidade de Freiburg e aceitou o convite para lecionar em Marburg. Sua chegada marcou o encontro com Rudolf Bultmann marcando o prelúdio de um diálogo produtivo eminentemente singular. Correspondência entre Heidegger e Bultmann se estende por um período de mais de meio século. Em cartas, juntamente com questões de política da Universidade e assuntos pessoais, tendo de novo como destaque o problema fundamental da relação entre filosofia e teologia. A amizade entre os dois surge entre tensões e partidas. As correspondências revelam estilos de vida, fé e filosofia dos dois pensadores.
400 páginas
Editora: Herder Editorial; 1ª edição, de Fevereiro de 2013
Idioma: Espanhol
ISBN-10: 8425426510
ISBN-13: 978-8425426513
Formato: 16 x 23


Rudolf Bultmann e Karl Barth Cartas, 1922-1966
Editor. Bernd Jaspert

As cartas entre estes dois gigantes da teologia do século 20 escritas ao longo de quatro décadas produzil idéias excelentes para a teologia cristã.
Este livro contém  todas as cartas disponíveis trocadas por Karl Barth e Rudolf Bultmann durante um período de 44 anos (1922-1960).
206 páginas
Editora: T. & T.Clark Ltd; 1ª edição, Julho 1982
Idioma: Inglês
ISBN-10: 0567093344
ISBN-13: 978-0567093349

Dimensões: 22,9 x 15,5 x 1,8 cm


Estilo de Normalizar Citação De Acordo com as Normas da ABNT para Trabalhos Acadêmicos.
RUBENS, David. Rudolf Bultmann: correspondências; Günther Bornkamm; Paul Althaus; Martin Heidegger; Karl Barthhttp://biblicoteologico.blogspot.com.br/2015/01/rudolf-bultmann-correspondencias.html. Acesso em: _____________.

Museu bultmanniano


























Rudolf Bultmann: demitologização, melhor método interpretativo para compreensão da bíblia


O Novo Testamento relata diversas “histórias” que dizem respeito a tempos e lugares remotos e inacessíveis (como “no princípio” ou “no céu”), as quais envolviam a atuação de agentes e fatos sobrenaturais. Bultmann afirma que tais histórias possuem, na verdade, um significado existencial subjacente que pode ser captado e apropriado mediante um processo de interpretação adequado.
O Novo Testamento é cheio de mitos, o mais relevante desses mitos do NT é aquele de caráter escatológico, o qual defende o iminente fim do mundo, mediante uma intervenção direta de Deus que levaria ao juízo final e posteriores recompensa ou punição. Para Bultmann, esse “mito” e outros similares poderiam ser reinterpretados existencialmente.
Assim, no caso do mito escatológico, o reconhecimento de que a história não havia, de fato, chegado ao fim não necessariamente invalidava o mito: se interpretado existencialmente, o “mito” dizia respeito ao aqui e agora da existência humana – ao fato de que os seres humanos devem encarar a realidade de sua própria morte e que, assim, são forçados a tomar decisões existenciais. O “juízo final” em questão não envolve algum tipo de julgamento divino futuro, que ocorrerá com o fim do mundo, mas sim um julgamento de nós mesmos atual, que se fundamenta em nosso conhecimento sobre o que Deus fez em Cristo.
Bultmann defende que esse tipo de demitologização é precisamente o que podemos encontrar no quarto evangelho, escrito ao final do século I, quando as primeiras expectativas escatológicas da comunidade cristã primitiva se dissipavam.
O “juízo final” é interpretado por Bultmann como uma referência ao momento de crise existencial, quando seres humanos são confrontados com o kerygma de Deus para eles. A “escatologia realizada” do quarto evangelho surge do fato de que o escritor do evangelho havia percebido que a parúsia não é um evento futuro, mas sim algo que já aconteceu, no confronto entre o cristão e o querigma: Lá, o “agora” relativo à vinda do Revelador corresponde exatamente ao “agora” da proclamação da Palavra como fato histórico, o “agora” do presente, do momento. Esse “agora”, em que somos abordados em um momento específico, é o “agora” escatológico, pois nele faz-se a decisão entre vida e morte. Ele representa a hora que está vindo e, ao ser atingidos por ela, passa a ser “agora”. Portanto, não é verdade que a parúsia, aguardada pelos demais como um evento ocorrido no tempo, estivesse sendo nesse momento negada ou transformada por João em um processo interno da alma, em uma experiência. Ao contrário, João abre os olhos do leitor: a parúsia já aconteceu!
Assim, Bultmann considera que o quarto evangelho faz uma reinterpretação parcial do mito escatológico, em termos de seu significado para a existência humana. Cristo não é um fenômeno passado, mas, antes, o Verbo sempre presente de Deus que não expressa uma verdade genérica, mas sim uma proclamação concreta e dirigida a cada um de nós, que exige de nossa parte uma decisão existencial.

Para Bultmann, o processo escatológico tornou-se um evento integrante da história, e torna-se mais uma vez um evento integrante da proclamação cristã contemporânea.


Estilo de Normalizar Citação De Acordo com as Normas da ABNT para Trabalhos Acadêmicos.
RUBENS, David. Rudolf Bultmann: demitologização, melhor método interpretativo para compreensão da bíblia. http://rudolfbultmann.blogspot.com.br/2015/07/rudolf-bultmann-demitologizacao-melhor.html. Acesso em: _____________.
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